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Conto: O ascensor dos seres vazios (+14 anos)

Arauto

Conto: O ascensor dos seres vazios (+14 anos)

O meu nome é James...

 

Eu vivo uma vida feliz próximo da capital em Inferitarto junto de minha família, sou um Dabocarto e gosto de passar o tempo meditanto, doando Energia Espiritual e ajudando os mais pobres nas vielas da cidade, as vezes eles fazem algo tentando me prejudicar, mas eu não ligo muito, afinal, alguns deles são Demonais.

 

Mas como aqui não é Inanisak, eu tenho que trabalhar e sustentar a minha esposa e filhos, dos quais praticamente têm que ficar em casa a maior parte do tempo, pois os Dabocartos desta região são vistos simplesmente como uma mercadoria prestes a ser explorada, afinal, os Demonais se alimentam de Energia Espiritual, portanto somos vistos  para alguns como um filé de alta qualidade, andando por aí.

 

O emprego no qual eu consegui é um dos piores e mais nobres para Dabocartos como eu: eu sou um Inspetor Racial, e as pessoas que o conseguem não trabalham para "inspencionar as raças": mas sim para investigar, localizar e matar qualquer raça diferente dos Demonais que entram aqui ilegalmente.

 

Sinceramente, eu odeio e amo esse emprego, pois ele é um dos únicos empregos de classe baixa próximos da líder daqui e um dos únicos que dão muito dinheiro, eu fico meio satisfeito, e aqui é bem melhor do que em Inanisak e o que aconteceu comigo, no meu vilarejo anos atrás:

 

Me lembro que eu era uma pequena criança, eu brincava e meditava com os monges do vilarejo Aijhkan, um dos vilarejos próximos de uma região corruptível chamada de Kascathek, que é uma das regiões dominadas pelos Kascartos, e o significado do nome Kascarto em minha língua nativa significa "Ser vazio/Casca sombria", e eles tinham tudo a ver com o seu nome:

 

Kascartos são seres que normalmente são enormes, seus corpos são cobertos de espinhos e formações deformadas, e no interior de seus corpos é literalmente vazio, e nele este espaço é reservado para a Energia Espiritual que eles comem, eles são quase como animais irracionais, onde devoram por instinto qualquer vestígio de Energia Espiritual, e por isso eles são considerados os únicos predadores naturais dos Dabocartos.

 

E uma forma de se transformar em um deles é muito fácil: pela sua deformação e corrupção em seu corpo, uma simples mordida ou ferida transformará um Dabocarto em Kascarto em questão de alguns dias, por isso era extremamente proibido chegar perto destas regiões sem avisar os nossos mestres do vilarejo, e se alguém quisesse entrar nestas regiões, por segurança eles nunca deveriam voltar mais.

 

E foi o que aconteceu: minha amiga muito próxima chamada de Ghady matou acidentalmente um Dabocarto: que é um dos piores crimes que se pode fazer em Inanisak, e com isso, ela será punida com a pior sentença em Inanisak: ela seria forçada a ir em Khascathek e voltar nunca mais, e foi a última vez que eu a vi.

 

Era o que eu pensava.

 

Após alguns dias após isso, ela secretamente volta para a vila toda machucada, pedindo pela a minha ajuda, então eu a curo e trato os seus ferimentos, foi nesse tempo que eu vi uma ferida meio grande em seu braço que não conseguia curar, mas eu deixei quieto, e como ela era a minha amiga, eu resolvi não contar para ninguém que ela estava aqui.

 

Um dos piores erros que eu já cometi.

 

Depois de ter voltado do Monte Pacemth após ter feito a meditação, eu logo vi uma das piores cenas que um garoto poderia ver: Dabocartos mortos em todo o lado, a sua Energia Espiritual escorria pelas paredes, corpos pisateados e tudo mais, eu fiquei extremamente confuso e muito assustado, parecia que eu estava em um pesadelo horrível.

 

Quando virei para atrás, eu vi a Ghady meio tansformada em Kascarto em posição de me atacar, com as garras cortantes viradas para mim, foi quando eu me sentei no chão e já preparei o meu fim, enquanto eu chorava em silencio me preparando para morrer, e eu fechei os meus olhos...

 

Quando me dei conta, eu abri os olhos e a vi tentando se controlar com muita força de vontade, ela tentava não me machucar, se retorcendo em agonia e dor para não obedecer a corrupção que havia dentro de si, ela tentava se manter lúcida deste pesadelo.

 

Então, com a suas garras lentamente indo para a minha direção, ela tentava aos poucos levá-las para baixo, mas ela não conseguia, e no ato de força e desespero, ela enfiou as garras em seu peito, e enquanto morria aos poucos, ela se virou em meu rosto, e falava comigo com o último ar em seus pulmões:

 

"Me. D-des-culpa. Pel-o. O q-ue. Eu. Fiz a vo-cê, saiba qu-e..."

 

E ela caiu morta no chão, com olhos semi-abertos e lágrimas saindo de seu rosto, esse foi um dos momentos mais tristes e traumáticos em minha vida, que me deu um grande sentimento de vingança contra essa corrupção que até hoje não se sabe de onde ela veio, e a cada dia, eu tento ajudar e ao mesmo tempo matar áqueles que entram em Inferitarto ilegalmente, com esperanças dessas "coisas" não entrarem aqui, mas até lá, eu escondo a verdade de mim mesmo:

 

Quando Ghady acertou as suas garras em si mesma, ela sem querer me deu um pequeno corte em minha testa, e sabendo disso, eu fico me tratando e comprando os remédios com o dinheiro que ganho para eu não virar essas coisas horrendas, para eu não virar um Kascarto...

 

O meu nome é James...

 

E eu sinto fome...

"- A espécie humana é normalmente atribuída como uma raça que sempre finge não ser ela mesma... Eu acho isso um fardo e uma tristeza infinita" - Autor Desconhecido