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Conto: O meu mundo de cor cinza (+14 anos)

Arauto

Conto: O meu mundo de cor cinza (+14 anos)

Este mundo é falso, este mundo é cinza...

 

As minhas memórias estão embaçadas, quase perdidas, mas eu me lembro disto até hoje. Quando eu era uma pequena criança, sem nada de especial, eu sempre brincava na rua com os meus amigos, e nós éramos muito felizes. Em um desses dias, um de meus amigos acabou chutando bem forte a bola de futebol, e ela acabou indo dentro do meio do mato. E claro, ele colocou a culpa em mim e eu tive que a buscar por mim mesmo.

 

Após andar por alguns minutos, eu a encontrei, mas totalmente suja de lama. Ao perceber-me, eu sentia uma presença no meio daquelas árvores, como se algo estivesse me observando. Mesmo assim, eu não dei tanta atenção e fui andando ao encontro de meus amigos, até que algo passou voando como o vento e parou atrás de mim, tocando em meu ombro.

 

Naquele mesmo momento eu queria gritar de medo, mas tinha certeza que aquilo iria piorar se eu fizesse ações precipitadas. Eu comecei a sentir-me pesado, e minhas mão começaram a suar frio, eu não sabia o que e deveria fazer naquela hora. E nesse estado de choque, eu conseguia ouvir e sentir o bafo fedido e ofegante vindo daquilo, e os seus dedos ficaram mais prensados em mim, como se não queresse que eu saísse dali.

 

E calmamente eu me virei para aquilo, e vejo o que tem atrás de mim. Um ser que aparentava ter uma anatomia de um homem, vestindo roupas brancas e uma máscara estranha também branca. Ele aproxima o seu rosto em minha face, com uma ação parecida de falar na cara. Oh deus, eu conseguia enxergar os seus olhos dentro dessa máscara, e eles não tinham íris, eu tinha uma leve impressão que ele era um fantasma.

 

Ao estar nessa posição, ele abriu a boca e falou com um tom sinistro, com a voz de um velho: Hibdai Gurou Dutzea.

 

Acordo na manhã seguinte, misteriosamente, eu não me lembrava de nada deste evento, e eu havia acabado de ficar em coma. Por alguma razão, eu não conseguia ver cores ao meu redor, somente conseguia enxegar a cor cinza. E por isso, eu perguntava aos médicos ou enfermeiras o que havia acontecido, mas eles não me respondiam, como se fossem obrigados a não falarem comigo.

 

Quando os meus pais chegaram no hospital, eles ficaram horrorizados, mesmo eu não saber de nada desta situação, me sentia confuso. Enquanto todos ali saiam da minha sala, a minha mãe chegou cuidadosamente em mim com um espelho, e pediu para eu olhar a minha cara. Foi então que agora ficou estranho: eu não tinha olhos, mas eu ainda conseguia enxergar, e foi então que a minha vida foi de mau a pior.

 

Eu sofria bullying constantemente, nunca consegui ter uma relação amorosa, não pude estudar por que os meus pais não haviam dinheiro eu tive que os sustentar e várias outras coisas. Tudo na minha vida parecia perdido, até que fui convidado a ter um emprego perfeito para mim: eu havia entrado em um circo. No começo de minhas apresentações, eu havia atraído um grande público de fãs e consegui ter uma vida boa com a minha família.

 

Mas trabalhar nesse tipo de indústria era muito estressante: eu era tratado como uma aberração, o meu isolamento social ficou mais forte e eu era constantemente ameaçado de morte pelos religiosos, alegando que eu era o próprio anti-cristo. E com isso, os meus pais acabaram sendo assassinados por estas pessoas. Minha vida então despencou, e acabei me envolvendo em processos mentirosos feitos pelos religiosos, o que me fez ser demitido.

 

Sem dinheiro para eu comprar os meus anti-depressivos, eu acabei me tornando um alcoólica e dependente químico, tentando me fazer feliz desde mundo sem sentido e cinza. Foi então no meu auge de tristeza que eu decidi algo que é contra a minha Dhua: eu iria tirar a minha própria vida. Então comprei todas as cervejas que eu pude e fui na estação de trem, pensando e vendo as pessoas indo de lá para cá, pensando na minha vida e enchendo a cara.

 

Quando bateu as 5:28 PM, eu já me preparei tudo o que havia de preparar para o trem das 5:30 PM. Eu estava sem ressentimentos ou carregando algum desejo ou qualquer que eu tenha comigo. Eu estava sem arrependimentos e alcoólico, eu estava pronto para o que iria vir. Com o trem se aproximando da estação, eu saí correndo em direção a ele e pulei nos trilhos, faltando poucos segundos para ele me atropelar.

 

Eu vi flashes passando em minha cabeça, senti que a vida passou pelos meus olhos vazios, então apenas fechei os olhos e me deixar ser levado para o outro mundo. Pai, Mãe... A gente irá se ver daqui a pouco, não é? Teve tantos momentos que eu queria ter aproveitado nessa vida, como melhores amigos, uma namorada, filhos, ter um emprego digno, mas tudo foi em vão... Mas agora, eu não sinto mas nenhum arrependimento...

 

Adeus, mundo cinza...

 

Yo
2 RESPOSTAS
Dragão

Re: Conto: Apenas vejo a cor cinza (---> aviso de gatilho emocional <---)

oof

Aronguejo

Re: Conto: Apenas vejo a cor cinza (---> aviso de gatilho emocional <---)

#voltaS4